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segunda-feira, 2 de maio de 2016

Fernando Pessoa 80 anos depois




Fernando Pessoa 80 anos depois



Celebrado em nossa atualidade como um dos grandes poetas do século XX. Vale, por isto, sempre recuperá-lo e convidar à sua leitura


por Juarez Donizete Ambires*


*¨CANTIGA SUA¨Comigo me desavim, Sou posto em todo perigo, Não posso viver comigo Nem posso fugir de mim. Com dor da gente fugia Antes que esta assim crescesse, Agora já fugiria De mim, se de mim pudesse. Que meio espero ou que fim Do vão trabalho que sigo, Pois que trago a mim comigo Tamanho inimigo de mim?
Sá de Miranda. Hue, S. M. (org.). Antologia de poesia portuguesa, século XVI: Camões entre seus contemporâneos. Rio de Janeiro:
A lembrança dos oitenta anos de sua morte é um incentivo para tanto. Leiamos, então, sua poesia, mas também outros textos deixados pelo próprio Pessoa. Buscando uma compreensão do seu universo, é preciso assim proceder. O poeta se explica e explica sua criação. Os textos de O eu profundo e outros eus foram produzidos com este intuito. Vão falar, por isto, de despersonalização e simulação, palavras-chave para o entendimento de um universo literário que se forjou na expressão heteronímica1. Forjou-se, ainda, no diálogo com os anseios da cultura portuguesa antecedente.
Heterônimos, na sua vez, são personalidades poéticas que Pessoa criou2. Não se trata, por isto, de um contexto ou de uma produção de poesia assinado por pseudônimos. O procedimento ou construção é algo mais complexo que isto. Fernando é um poeta dramático e os principais heterônimos criados têm sua personificação. Eles apresentam, devido ao fato, um histórico existencial, biográfico.
Assim, possuem uma data de nascimento, um tipo físico, um estilo de poesia, um talhe de letra. Em carta a Adolfo Casais Monteiro, o poeta dá ao crítico explicações sobre o seu universo poético. Com humor, afirma no mesmo texto que a esquizofrenia certamente explicasse os desdobramentos de personalidade. Mesmo a poesia assinada com o nome Fernando Pessoa é heteronímica. Na carta a Casais Monteiro o poeta nos alerta para o fato. Em sequência, informa que os seus principais heterônimos são Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Noutros escritos (anteriores à carta), vai além e, construindo suas personas, afirma: Caeiro é o mestre dos outros dois heterônimos. É ainda o moço da província; vem do meio rural3 e sua formação escolar é a menor entre os três. Ele, contudo, é visto como mestre por Reis e Campos. Entre os três grandes heterônimos, é provavelmente aquele que evoca a infância e a ela nos remete. É amigo do menino Jesus, mas o quer livre do controle da igreja e sem o peso dos séculos de história que o cercam.

CONCEITO
HETERÔNIMOS

Heteronímia é o estudo dos heterônimos, estudo de autores fictícios ou pseudo autores que criam personalidades. Diferente dos pseudônimos, os heterônimos possuem uma personalidade. O criador do heterônimo é denominado "ortônimo", ele assume outras personalidades como se fossem pessoas reais. Fernando Pessoa foi um dos maiores ortônimos da Literatura, o poeta português criou os heterônimos Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Bernardo Soares.

REFERÊNCIA
CESÁRIO VERDE

Pode ser considerado representante da estética de sua época, ainda que não pudesse ser enquadrado em nenhuma das escolas poéticas dos países de língua portuguesa, é possível dizer que seu estilo influenciou pela relevância estética. Aproximar o poeta de reminiscências parnasianas, nuances do romantismo e notada afinidade com o realismo não é observação frívola. Cesário apresenta ligação com o Naturalismo pelo surgimento do meio como determinante comportamental em sua poética.

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